Capítulo 1 - A pousada.
Eytan nunca foi um mestre em geografia. Por essa razão, quando finalmente seu carro decidiu parar de fazer sons estranhos e expelir fumaça para finalmente apagar de vez, sua primeira reação ao ver que estava preso em uma região desértica dos Estados Unidos foi dizer “Ferrou”. Isso há muitas horas atrás, e sua maior esperança era encontrar algum tipo de pousada encardida para pensar em como sair daquele lugar. O pior de tudo: essa viagem nem era em benefício próprio. Seria mais adequado dizer que era para ajudar alguém. E agora ele mesmo precisava de ajuda.
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Eytan nunca foi um mestre em geografia. Por essa razão, quando finalmente seu carro decidiu parar de fazer sons estranhos e expelir fumaça para finalmente apagar de vez, sua primeira reação ao ver que estava preso em uma região desértica dos Estados Unidos foi dizer “Ferrou”. Isso há muitas horas atrás, e sua maior esperança era encontrar algum tipo de pousada encardida para pensar em como sair daquele lugar. O pior de tudo: essa viagem nem era em benefício próprio. Seria mais adequado dizer que era para ajudar alguém. E agora ele mesmo precisava de ajuda.
O que Eytan nunca iria descobrir, era que se a pousada, que agora avistava, não existisse, ele morreria em breve por desidratação. Em sua mente, contudo, ele tinha certeza que aquela pousada estaria lá. Mesmo que no final desse mesmo dia ele desejasse não ter encontrado aquele local.
Tentou apressar seu passo, sorrindo brevemente ao ver aquela formação diante do vasto horizonte desértico, mas logo percebeu que estava muito exausto para isso. Percebeu também que a fome estava terrível. E principalmente: percebeu que sede é a pior coisa que pode acontecer ao ser humano. Já havia usado o pouco de suprimentos que tinha, então seu desejo por água era completamente justificável. Ainda pensando sobre como chegaria na pousada, começou a se perguntar se estaria vazia. Caso não estivesse, quem estaria lá?
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Julia estava deitada em seu quarto na pousada. Havia acordado há não muito tempo, mas não tinha nenhuma pretensão de se levantar. Apenas permanecia no mesmo lugar em que despertara, com a diferença de nesse momento estar segurando um livro enquanto ficava balançando suas pernas ao ar de bruços na cama. Assim ficou por um tempo, lendo aquele romance em que a maioria das garotas acreditavam, mas para ela parecia algo mais distante que a ficção científica mais estúpida do mundo. Mesmo assim ela continuava a ler. Não necessariamente por que estivesse interessada. Não por estar desejando acreditar naquilo. Apenas para ter conhecimento de alguma coisa da cultura atual. Julia não era uma garota qualquer, ela carregava uma certa capacidade de ser hipócrita e falsa que era capaz de surpreender até mesmo sua própria mãe. Mas isso era bom. Ser hipócrita sempre é bom. E ela, embora nunca admitisse, se orgulhava de ser falsa.
Cansada de ver a protagonista não conseguir decidir qual par romântico daquele mundo literário estúpido ela deveria casar, foi em direção ao espelho. Embora naquela porcaria encardida não tivesse nada de luxo, havia ao menos um espelho relativamente grande, o suficiente para ver seu corpo inteiro. Arrumou brevemente seu cabelo escuro e liso, prendendo em forma de um coque. Uma beleza incrível, mas ainda assim presa em um lugar estúpido como aquele. A culpa era completamente dela, fora largada lá por um homem que ela havia traído, contudo ela nunca suspeitou que ele soubesse. Em uma tarde, saindo para uma viagem de férias, ela foi simplesmente abandonada por ele naquele lixo de pousada. Com poucos pertences, e muito pouco dinheiro, ela tem apenas esperado, afinal todos que estão naquele lugar podem apenas esperar. Desviando o olhar do próprio rosto no espelho, resolveu olhar um pouco aquele bendito deserto que se encontrava. Antes de conseguir exclamar qualquer coisa, viu alguem que não conhecia se aproximando. Primeiro era um vulto. Não era exatamente alto, e era um pouco magro. Conforme foi se aproximando percebeu primeiro seu cabelo ruivo até os ombros. Sim, mesmo ela percebeu primeiro os cabelos daquele homem antes de perceber a camiseta regata que ele usava. “Tentando ganhar um bronzeado, garotão?” pensou consigo mesma. Bom, de algum lugar esse cretino veio, e para algum lugar vai. Talvez seja a melhor oportunidade para ela sair daquele fim de mundo que se encontrava, pois o seu dinheiro estava no fim, e em breve teria que começar a pensar em alguma forma de “agradar” o jovem filho da dona da pensão, ou acabaria sendo expulsa do próprio inferno.
Resolveu colocar sua melhor roupa e descer para causar alguma primeira impressão amigável naquele idiota que vinha para a pousada. Dessa vez seria um pouco mais cuidadosa do que fora com o último, e daria um jeito de sair junto com o infeliz, caso fosse possível. Seria interessante pelo menos voltar para sua casa. Não que houvesse alguém esperando por ela. Apenas queria sua casa de volta. Ali, naquele fim de mundo, ela não era alguém. Em sua casa ela era Julia Sperling senhora de tudo, e uma golpista razoável.
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Chegando perto da pousada, Eytan viu que aquele lugar era muito pior do que esperava. “É isso que acontece quando se tenta ajudar alguém. Malditas mulheres!”. Sim, de fato. Ele estava nessa viagem por culpa de uma mulher. E agora estava preso nessa porcaria de lugar e nem fazia ideia de como sair.
Observou com calma o local onde se dirigia. Viu a estrutura mal feita de madeira. “Sim, madeira. Ótimo para resistir ao calor, não é mesmo? Aposto que essa porcaria tem milhares de furos e quando chove...” em seguida começou a rir de si mesmo. Chuva? No deserto seria uma dádiva se aquilo ocorresse com frequência. Olhou para a placa dizendo “Pousada Implacável” e pensou onde aquilo seria implacável. Certamente não era na apresentação. A placa em que estava escrito o nome da pousada estava precária. As letras eram pintadas com um azul tosco, que estava tão desbotado que em alguns meses provavelmente não seria possível ler aquilo. O mais assustador, contudo, era a ausência de carros naquele lugar. Isso deixou Eytan realmente preocupado. Mesmo assim, ele fez seu melhor para criar um sorriso amigável ao subir os poucos degraus da entrada da pousada e entrar naquele local que nem uma porta tinha na entrada.
A ideia da pousada saiu tão sem querer que chegou a me dar raiva. Contudo eu realmente não consegui pensar em outro ambiente para começar esse conto. Então, tal como Eytan, aceitei meu destino e comecei a caminhar em sua direção.
ResponderExcluirO principal problema foi a falta de espaço e meu medo de atrapalhar os outros membros criando dois personagens e já definindo o que teria que fazer com eles dali pra frente, por tanto optei por dar um certo espaço principalmente no caso do Eytan que acabei por não descrever muito.
Espero muito me divertir com essa história, ainda mais com os elementos que todos vão acrescentando em seus capítulos enriquecendo esse pequeno esboço.
Boa sorte para nós ;)