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terça-feira, 17 de junho de 2014

Capítulo 14 - Estrela da Manhã

Capítulo 14

Estrela da Manhã


Pietro saiu da sala a tempo de ver Mara se identificando na recepção.
"Pietro! Como ela está?"
"Está mais calma. Mas não pode vê-la agora - o General exige que estejam a sós."
Mara ignorou o aviso, e se dirigia à sala, mas foi barrada por um homem do general. Sabia que devia falar com Lore o quanto antes, mas havia outros assuntos que exigiam sua atenção.
Quando se voltou ao corredor, Pietro já dormia. Pudera, o sol já ameaçava aparecer quando Mara conseguira chegar ao hospital. O rapaz devia ter passado a noite inteira acordado.
"Pietro, acorde. Lhe acompanho até sua casa."


***

A história de Viriato não comoveu o general. Após o jantar, havia seguido seu irmão até alguma alameda qualquer, onde se encontrara com outros homens que Viriato não conseguiu identificar. Conforme sentia que não poderia perder tal oportunidade, decidiu agir, mas fora surpreendido por um disparo no ombro, seguido de uma bela surra. Nada que o general não conhecesse bem. Lhe espantava mais a forma impulsiva como Viriato havia agido, mas problemas familiares fizeram animais dos homens mais sofisticados que conhecera.

A história da servente, por outro lado, lhe chamara mais a atenção. Em particular, por ter sido atacada por um homem que, poucas horas depois, havia atacado o próprio General. Vodyanov e seus comparsas a teriam sequestrado e a seu filho, a espancado quando resistira. Aproveitando-se da distração de um disparo, a servente havia escapado, mas seu filho ainda se encontrava em posse dos assaltantes.

A conclusão óbvia seria atar os dois incidentes. As histórias eram suficientemente críveis para se passarem como diferentes pontos de vista para um mesmo evento. O general detestava assumir, no entanto. Isso, e havia um intervalo de duas horas entre as duas histórias, o que indicaria que, caso o incidente realmente fosse um só, ao menos um dos dois estaria mentindo.

Além disso, havia o ataque ao quartel. Era provável que o homem que atacara o quartel não o fizera com o intuito de assassiná-lo. Para tanto, teria de saber que encontraria o general em seu escritório ao invés de em sua casa. Se este fosse o caso, precisaria encontrar uma forma de lidar com o guarda que patrulhara os corredores sem alertar ao general, o que não fez, e acabara por resultar em sua captura.

Que interesse teriam os russos na servente? Que intenções moviam o atentado ao quartel? Algumas peças ainda faltavam nesse quebra-cabeça, e não parecia que as encontraria aqui.

"As investigações a respeito da sua criança ficarão sob responsabilidade do exército de agora em diante. Qualquer envolvimento não-autorizado será visto como afronta direta a mim e tratado como tal."
O doutor apontou que, se tudo corresse bem, Lore deveria estar recuperada na semana que se seguia.
"Perfeito. Sendo assim, espero vê-la de volta ao trabalho o quanto antes. De acordo, Sra. Flores?"
"Sim, senhor general."
"O mesmo para o senhor, Viriato?"
Viriato esboçou uma continência. O general se deu por satisfeito.

Julius se retirou, seguido de perto por um de seus homens de maior confiança, Álvaro Fernandes.
Embora não o fizesse claro, o general estava cansado. A agitação a qual fora submetido desde a madrugada até então lhe pesava mais do que outrora o faria. A despeito disso, Álvaro não se conteve:
"Com todo o respeito, general, acredita mesmo na servente?",
"Foque-se no seu trabalho, Fernandes."
O General havia aprendido há anos o significado de "mantenha seus amigos por perto, os inimigos ainda mais".


***

Viriato já dormia um sono profundo na cama ao lado quando uma enfermeira entrou na sala. "Como está se sentindo?"
Lore não respondeu.
"Lamento pelo ocorrido. Contudo, sua participação foi de vital importância para removermos os Vodyanov da nossa cidade."
A enfermeira trocava as ataduras no rosto da moça enquanto continuava.
"Seu filho está a salvo conosco. Cuidaremos dele até que esteja pronta para sair daqui."
Os medicamentos impediam Lore de encontrar as palavras para responder. A mulher não precisava de uma resposta.
"Não podemos correr riscos desnecessários. Espero que entenda."
Alguém bateu à porta aberta. A mulher sinalizou que já estava a caminho.
"Você tem potencial, Lore. Não deixe tirarem isso de você."

Lore pensava nessas palavras conforme o sono lhe tomava. Mas o sono não tardou, e logo se viu sonhando com as últimas noites.


***

Lore considerava os riscos envolvidos naquela situação, mas já era tarde para voltar atrás. Não podia voltar atrás. Com isto em mente, esperara Mara fechar o bar àquela noite, e seguira por vielas escuras em busca de algo que, supostamente, lhe daria força para enfrentar a guerra.
O ar gelado da noite começava a roer sua determinação quando Mara encerrou o passo de repente.
"É aqui."

Mara abriu um alçapão de madeira nos fundos de um casebre de madeira que rangia quando quer que o vento soprasse. Abaixo do nível do solo, revelou-se um pequeno corredor esculpido na terra, e em seguida, uma sala enorme se estendia por debaixo do casebre, povoada com algumas dezenas de pessoas, as vigas que forneciam suporte à construção acima, e um palanque rústico de madeira no centro.


No momento em que Lore entrou, silêncio tomou conta da grande sala.
A multidão se abriu, e dela ergueu-se a mulher mais bonita que já havia posto os olhos sobre.
Parou por um segundo sobre o palanque no centro da peça. Parecia averiguar a todos com os olhos inquietos.
Foi então que a viu.
A líder do movimento estendeu a mão a Lore e sorriu um sorriso feito de esperança.
"Me chamam Francisca D´ávila. Bem-vinda à Estrela da Manhã."

sábado, 12 de abril de 2014

Capítulo 13 - Atentados

Capítulo 13

Atentados


Lore queria — precisava — continuar seu escândalo, sua resistência. Assim exteriorizava seu desespero, em vez de deixá-lo acumular, enchê-la, quase que explodi-la. O éter, no entanto, forçava sua quietude. Enquanto deslizava em direção à inconsciência, amaldiçoava não só o General Longo e o exército, mas também Mara, Alfredo Neves e o grupo que se aproveitara de sua raiva, para depois traí-la.

***

"Boa noite Mara, a taverna ainda está aberta?"

"Lore, é claro! Entra, senta, por favor."

Normalmente, Mara expulsaria qualquer freguês que chegasse a essa hora, faltando poucos minutos para a taverna fechar. Para Lore, porém, uma excessão era apropriada. Naquela noite Lore destilara sua raiva em uma carta a Daniel Dolores, percebendo a seguir que o real alvo de tal rancor eram aqueles que, em seus jogos de guerra, causaram a morte de Marco. Embora Mara não conhecesse os pensamentos de Lore, podia ver o reflexo do ódio e do pesar em seu rosto.

"Um conhaque, por favor" foi o pedido preocupante de Lore, que não tinha o hábito de beber.

"Lore, tens certeza disso? Sei que perdeste o homem que amas, mas a bebida te trará pouco consolo, e nenhuma chance de recuperação. Já vi muitos seguirem este caminho, e ele só te levará à tua destruição."

"Que seja, pelo menos minha dor será destruída comigo. Comigo, ou com Longo e todos os outros desgraçados que brincam com nossas vidas. Mas Deus sabe que só tenho poder sobre mim mesma."

O desespero de Lore abria uma oportunidade. Mara precisava tomá-la, não só por sua causa, mas também para o bem da amiga. Afinal, sabia de primeira mão como um objetivo pode trazer alguém de volta à vida.

"E se houver uma maneira de ajudares a acabar com esta guerra e com os abusos de nosso exército?"

***

Cabo Montes se dirigia, como já era rotina, ao escritório onde Alferes Junqueira o esperava. Todo início de tarde ia buscar a lista de esposas que se descobririam viúvas, mas nesta vez quase esbarrou em uma servente que saía da sala ao mesmo tempo em que ele ia entrar.

A dor estampada no rosto da servente lhe era familiar, não era a primeira vez que a via inesperadamente — embora desta vez a dor parecesse acompanhada de uam misteriosa determinação. Não foi difícil reconhecer a viúva que, há poucos dias, parecera pressentir a notícia que Cabo Montes daria.
"Nos encontramos novamente, Cabo" disse Lore antes que ele se recuperasse da surpresa. "Suponho que era inevitável que isso ocorresse."

"Não sabia que trabalhas aqui. Meus pêsames, é uma pena que tantos bons homens sejam levados pela guerra. Com sorte ela acabará logo, e positivamente."

"Ah, Cabo, mas todos os jornais concordam que a guerra ainda nos custará muito tempo e muitas vidas." Jornais? A servente sabia ler? "Gostaria de poder esperar por esta sorte, mas tenho que trabalhar. Passar bem."

Enquanto Lore seguia pelo corredor, Cabo Montes ponderava a coincidência. A viúva, alfabetizada, limpava o escritório onde as listas de soldados falecidos eram distribuídas. Talvez não fosse um pressentimento que a levara a abrir a porta já desolada, naquele fim de tarde.

"Alferes Junqueira, acabo de ter um encontro muito estranho."

***

As suspeitas relatadas a Álvaro Fernandes procediam. A moça que seguia há apenas dois dias terminava um breve encontro com Alfredo Neves, um anarquista que há meses escapava de perseguição policial. Como mantiveram uma informante no quartel general, com acesso o escritório do próprio General Longo, ainda era um mistério.

A moça se afastava na direção oposta, desaparecendo na escuridão da noite. Álvaro a havia perdido, mas seu alvo mudara — seguir o homem que percorria o estreito beco em sua direção traria informações mais úteis. A postura do homem indicava que o trabalho não seria difícil: ombros curvados; mãos nos bolsos; olhos no chão; a atenção focada aparentemente nos pensamentos, em vez do ambiente.

Álvaro começava a se esconder nas sombras quando viu a pouca luz das lamparinas refletida em dois locais do corpo de Alfredo: em seus olhos, voltados à direção de Álvaro, e no revólver que tirava do bolso. O estampido de uma arma de fogo foi seguido em breve pelo choro de uma criança.

Felizmente, os reflexos de Álvaro ainda eram rápidos, e seu revólver estava à mão. Infelizmente, homens mortos não contam segredos nem entregam conspirações. Um apito soava à distância, e policiais chegariam em breve — não haveria tempo para esconder o corpo ou disfarçar o ocorrido, apenas para escapar do local.

***

General Longo estava sentado no pequeno quarto do hospital, seu olhar inquisidor repousando ora sobre a servente — que vira limpar seu escritório, sem suspeitar da alfabetização nem do envolvimento da moça com grupos subversivos —, ora sobre o Coronel — que tanto estimara e que em tão suspeitas circunstâncias se envolvera.

Com algum alívio, pôde constatar que Viriato já se recuperava, seus olhos já refletiam novamente sua inteligência como a luz do sol nascente que entrava pela janela. A servente ainda aparentava desespero, porém após a noite de sono pesado, induzido pelo éter, não mais se rebelava contra todos.

"Alguns acontecimentos muito suspeitos se passaram na madrugada de anteontem. Às quatro horas da manhã, um homem invadiu o Quartel General, surpreendeu o guarda que patrulhava meu corredor e tentou me assassinar. Por sorte, minhas reações ainda são rápidas, e quando ouvi um tiro no corredor preparei uma emboscada em meu escritório."

"O homem era Mischa Vodyanov — teu cunhado, Viriato!" disse Longo controladamente, observando um misto de raiva e medo no rosto de Lore ao ouvir o nome. "Reconheces o nome, senhora Flores?"

"Foi ele! Ele e outro homem, acho que seu pai... Eles invadiram minha casa anteontem, por volta da meia noite, e me levaram, à força, junto com meu filho!" foi a resposta dita enquanto lágrimas surgiam nos olhos de Lore.

"Temos uma sequência intrigante de eventos em nossas mãos. Por volta das dez horas da noite, Viriato, foste espancado — segundo teu depoimento aos médicos. Por volta da meia noite, teu cunhado e teu sogro sequestraram a senhora Flores — que ainda precisa explicar como escapou — e seu filho. Às quatro horas da manhã, o mesmo cunhado invadiu o Quartel General e atentou contra minha vida. Agora vocês precisam explicar exatamente o que ocorreu."

terça-feira, 25 de março de 2014

Capítulo 12 - Passos de Inconseqüência

Capítulo 12

Passos de Inconseqüência



Foram necessárias dez horas de considerações e dez minutos de inconseqüência para bater à porta que vira Viriato bater. Sabia que não devia se meter nisso, mas se não podia colaborar com a guerra, ao menos podia confrontá-la.

Enquanto esperava o que parecia uma década até que atendessem a porta, ia pensando no quão desesperançosa andava sua vida. Talvez aquilo servisse para não se deixar viver por viver, mas o pensamento não o convenceu, já estava indo embora quando a porta se abriu.

"Pois não... Pietro?", disse Mara, com o rosto meio pálido enrubescendo rapidamente pelo susto.

"Eu... eu não sabia que moravas aqui. Legal que tenhas voltado", disse ele, sem saber exatamente o que fazer, nem para onde olhar.

Desistiu de ir embora, num inexplicável lampejo de coragem, e sibilou para a moça "precisamos conversar". Ela entendeu que se tratava de algo sério e indicou-lhe um quartinho aos fundos, pedindo que esperasse um instante.

Mara levou o balde que Lúcia havia pedido, para que não desconfiasse de nada, e voltou para conversar com Pietro.

***

"Eu vi tudo. Quem é ele?", perguntou, não inquisidor, mas genuinamente preocupado. "Vi-o apanhando, mudo, vi quando se arrastou até aqui e quando o ajudaste a entrar. Não havia reconhecido-a, tamanho choque de ver a cena, mas agora não entendo como foi que não vi que era você. Levei horas pensando se devia vir até aqui e, no fim, não sei exatamente porque vim, mas quero ajudar.", e desabou na poltrona que estava ao seu lado. Era mais difícil tomar essa decisão pra quem sempre ganhou as decisões tomadas e prontas para seguir.

A moça ficou perplexa por um instante. Se alguém devia tomar a decisão de ajudar, era ela, não alguém que simplesmente vira a cena.

"Ele é Viriato. Não posso dizer propriamente que o conheço, apenas esbarramos na rua e ele foi gentil. Ficamos de nos encontrar novamente, mas definitivamente essa não era o tipo de situação que eu esperava pra um reencontro".

As próximas quatro horas se deram com Mara explicando toda a história que Viriato contara na noite anterior. Por fim, combinaram por visitá-lo no hospital à noite.

***

Mara estava uma hora e meia atrasada. Pietro devia ter ouvido seus instintos: não devia estar ali. Mesmo estando no hospital, não poderia sequer reconhecer Viriato, que dirá tomar coragem de falar com ele sobre o que vira.

Mesmo sabendo que era um esforço completamente inútil, percorreu os corredores - cheios o bastante para não ser notado - que se ramificavam pelo hospital. Ficar sozinho com seus pensamentos naquele momento era a pior coisa a se fazer; não era hora de se arrepender, mas se não fosse tão covarde quanto era, teria algo melhor na vida que um amor de infância não correspondido.

Sua melancólica auto-depreciação foi interrompida por gritos e urros animalescos que vinham do corredor à frente.

Todos sabem que não há nada melhor para mover um covarde que a curiosidade fulminante.

***

Lore estava transfigurada. Gritava e se debatia, tentando soltar-se e correr. Seu rosto tinha muitos hematomas e um generoso filete de sangue correndo de sua cabeça.

Aquela não era a mesma Lore tímida e doce de seus devaneios. Aquela era muito mais real, muito mais dolorida. Pietro sentia a dor, o desespero, o medo, a revolta e o sangue espesso a escorrer como que do seu próprio rosto.

"Meu filho!!! Eles levaram meu filho! Eu preciso procurá-lo! Eu vou achá-lo, me tirem daqui, me soltem!". Os médicos tentavam sedá-la, sem qualquer sucesso.

Pietro viu tudo aquilo desmaecer com o ímpeto e a dor lancinante dos gritos de Lore. O mundo todo escurecer e sumir, virando apenas um grande vazio de agonia.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Capítulo 11 - Algumas coisas nunca mudam

Capítulo 11

Algumas coisas nunca mudam


Mara ficou mais calma quando os médicos disseram que Viriato iria ficar bem. A forma como ele havia aparecido e seu tom triste durante a conversa levaram ela a acreditar que aquele homem finalmente iria terminar seu último dia ali ao lado dela. Felizmente os soldados que estavam de guarda aquele dia conseguiram rastrear Viriato e socorre-lo a tempo. O que eles não rastrearam era o culpado pelo disparo que havia ferido o jovem espião. Porém Mara sabia quem ele era, só não sabia como explicar e para quem explicar que o próprio irmão de Viriato havia cometido aquele crime. De fato… seria mesmo responsabilidade dela fazer aquilo?

***

Desde que foi removido do grupo de guarda por sua fobia a armas, Marco era visto com certo desgosto pelos outros soldados. Mesmo o Capitão Gonçalo parecia não estar gostando da sua presença no grupo, e já havia muitos dias que o Soldado Flores se sentia inútil.

Cuidar dos companheiros feridos era uma tarefa honrada e necessária, mas ele não entendia muito, e podia apenas ajudar os médicos que realmente sabiam o que estavam fazendo, mas não podiam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

Os últimos dias haviam estado mais calmos e já fazia algum tempo que não entravam em conflito algum naquela região, realmente estava começando a achar que a Argélia poderia ser o ponto final da sua história na guerra, e que depois daquilo poderia finalmente voltar para casa. Sabia que esse não seria um final bom para Daniel, mas era um final bom para ele. E o próprio Daniel talvez agora fosse desejar um final daqueles, embora não pudesse mais obtê-lo.

Marco estava deitado tentando dormir no seu acampamento enquanto pensava em tudo isso, mas aquela tinha sido sua última oportunidade de descansar naquele dia. Alarmes começaram a tocar. E começou uma correria que Marco estava muito acostumado nos treinamentos, mas que já estava enferrujado naqueles dias.

Naquele dia, alguns soldados portugueses conseguiram recuar junto com seus comandantes. Muitos foram mortos defendendo o forte da Argélia, e alguns poucos foram rendidos e capturados e perderam completamente a esperança de sair vivos. Marco ainda sonhava em se encontrar com sua família. Contudo ele agora estava sob a guarda do exército inimigo.

***

Uma pessoa havia visto todo o desenrolar da história de Viriato com seus próprios olhos. Ele não podia interferir, apenas perderia a vida fazendo isso, e embora não estivesse muito animado com ela atualmente, não estava interessado em deixar a sua escapar tão fácil. Estava cansado de não ter espaço em muitos lugares daquela sociedade, mas ainda assim queria ser mais útil.

- Algumas coisas nunca mudam - sorriu, enquanto pensava no assunto.