Anthony estava sentado em uma cadeira próxima a porta. Deric estava sentado ao seu lado, assim como a dona da pensão. Richard não estava presente.
- Você vai precisar chamar a garota, Eytan. - Falou Anthony com a voz um pouco rouca. Havia algo de estranho na voz dele, mas naquele momento Eytan realmente não soube dizer exatamente o quê.
- Posso saber o motivo pelo qual agora ela deve ser envolvida? - Eytan questionou sem parar de andar na direção dele.
- Claro, jovem, a razão - disse ele gesticulando - é o círculo.
Somente então Eytan notou que não havia como completar um círculo ali.
- Ao menos com a garota podemos deixar mais semelhante a um. - continuou Anthony.
Eythan ficou um tempo parado encarando o velho senhor. Depois percebeu que aquele homem não desejava mal algum a ele e se estava pedindo que Julia viesse, realmente seria necessário.
Voltou alguns instantes depois, trazendo Julia semi acordada para o círculo.
- Muito bem, acho que hoje seremos apenas nós.
Julia olhou em volta e sentiu a falta de Richard, mas decidiu não perguntar a respeito. Não estava habituada àqueles rituais, talvez não fosse uma boa ideia interromper. Estava mais preocupada com o fato de ter sido chamada e tinha plena certeza de que a razão pra isso era pra que ela contasse uma história.
- Hoje quem nos iluminará será, você, Deric.
Eythan ficou realmente surpreso com aquilo, tinha plena certeza de que seria ele quem contaria a história (Deric havia dito isso). Olhou para Deric e notou que se aquele homem estava surpreso, nem em mil anos de observação ele saberia.
Deric ajeitou sua cadeira e mexeu em seus bolsos. Pegou um maço de cigarros. Anthony observou os movimentos calmos dele e achou incrível que mesmo depois de tanto tempo ele ainda tivesse aquele velho maço. Deric deixou cair um cigarro em sua mão. Marcado no filtro estava uma única letra: "E". Arrancou o filtro do cigarro fora e ascendeu um fósforo. Começou a sentir um prazer por voltar a fumar antes mesmo de colocar o cigarro na boca.
- A história que vou contar hoje - começou ele com a voz rouca, talvez por não estar preparado para falar - é sobre uma garota que conheci certa vez. O nome dela era Esmeralda.
"Esmeralda morava perto de onde eu trabalho... ou melhor trabalhava. Tinha um sotaque charmoso, mas não sei dizer se ela realmente era uma mexicana ou algo assim. Eu era um pouco jovem, ao menos imaturo, não demorou muito para que eu caísse de amores por ela. Se hoje sei levantar uma arma foi por causa dela, pois naquele tempo eu não sabia fazer muito. E foi graças a ela que descobri algumas coisas sobre mim."
Durante a narrativa Deric parava algumas vezes, talvez para aproveitar o cigarro, talvez para lembrar o que ia dizer ou talvez para pensar no que não iria mencionar.
"O fim da nossa relação foi algo marcante, ela tinha um namorado de fora do país, mas nunca havia me falado. Certa vez ele veio visitá-la, mas não avisou ninguém. O resultado desse dia foi que eu me tornei um assassino."
Ele parou nesse momento e ficou olhando para lugar nenhum. Depois de alguns segundos retomou:
"Felizmente era um imigrante ilegal, um fantasma. Consegui me livrar dele e nunca fui acusado ou perseguido por ninguém. Esmeralda nunca me perdoou, mas naquele ponto ela já não era mais uma pessoa interessante. Seguimos caminhos diferentes e o meu me trouxe até aqui."
Ele encerrou dando uma última tragada, agora com bastante vontade. Jogou seu cigarro fora e olhou os outros membros do círculo. Estavam todos em silêncio, certamente não impressionados pela narrativa, mas sim pelo fato de nada ter acontecido. Nenhum vento estranho, nenhum som de escorpião... nada.
- Acho que agora que terminei minha história você já pode entrar, Richard.
Richard saiu da escuridão da rua e entrou na pensão. Estava completamente sujo de terra e parecia outra pessoa. Entrou e olhou diretamente para Julia e Eytan. Em um canto da sala o cigarro apagou.
Depois de muito tempo sem dar um fim para essa história e com muita insistência dos outros membros resolvi dar continuidade a esse conto. Fiz de forma bem curta, para não cansar, ainda mais que fiquei muito tempo sem escrever.
ResponderExcluirEspero que gostem.